terça-feira, 18 de março de 2008

Finanças e Meio Ambiente

O Rio de Janeiro sediou nos dias 14 e 15 de março de 2002 a 4ª Reunião Anual da Iniciativa Financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, que se realizou no auditório do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social - BNDES. Compareceram ao evento cerca de 350 representantes de diversas instituições financeiras nacionais e internacionais, bem como dirigentes de diversos organismos internacionais, dedicados à proteção ambiental e organizações não governamentais como os Amigos da Terra e a União Internacional para a Conservação da Natureza, dentre outras. O tema é extremamente novo e provocativo, embora seja visível que ele venha crescendo em importância a cada dia que passa. Entretanto, ainda há um longo caminho a ser percorrido. Em primeiro lugar é necessário que fique bem claro que riscos ambientais são riscos financeiros. Vários exemplos demonstram a veracidade da assertiva. Vejamos o caso do polêmico Projeto de Transposição de Águas do Rio São Francisco. Como se sabe, há mais de 150 anos existem projetos com o objetivo de retirar uma pequena quantidade de água do Rio São Francisco e levá-la para o semi-árido nordestino, como forma de amenizar a seca na região. (...)
A iniciativa financeira do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente conta com a participação de 77 instituições, sendo 65 da Europa e 7 da América do Norte. Em termos de América Latina, cerca de 70% dos bancos não possuem uma política corporativa sobre meio ambiente, sendo que dos 30% que a possuem, estas se limitam a serem políticas internas de meio ambiente e eles não pensam em meio ambiente como uma importante variável em negócios financeiros. Acrescente-se que 90% dos bancos não possuem qualquer tipo de gerência ou departamento encarregado de questões ambientais; igualmente, em 90% dos bancos não há qualquer análise de performance ambiental da instituição. Por tudo o que foi dito acima, parece-me bastante fácil identificar a importância e a dimensão da reunião ocorrida no BNDES.
(Paulo de Bessa Antunes, é advogado e consultor em direito ambiental)

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